Você sabe o que é Neuromodulação?

Katia Monte-Silva

Neuromodulação significa a capacidade do sistema nervoso tem de modular, ou seja, de modificar-se em resposta a estímulos externos. No entanto, atualmente, este termo tem sido usado em referência a recursos que envolvem estimulação elétrica ou administração de medicação aplicadas diretamente em estruturas do sistema nervoso com propósito terapêutico.

A neuromodulação inclui diversas modalidades que podem ser invasivas, quando há necessidade de implante de eletrodos, de marca-passos ou bombas de medicamentos, ou não-invasivas, quando a estimulação é feita sem necessidade de cirurgias.

Em 2013, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) através da Resolução N. 434/2013 reconheceu duas técnicas de neuromodulação não-invasiva, a estimulação transcraniana por corrente contínua e a estimulação magnética transcraniana, como recursos terapêuticos próprio do fisioterapeuta.

A estimulação transcraniana por corrente contínua (do inglês, transcranial direct current stimulation, tDCS) consiste em uma técnica que através da aplicação de uma corrente contínua de baixa intensidade sobre o crânio é capaz de modular a atividade cerebral e assim interferir no desempenho de diferentes funções do sistema nervoso central. Já a estimulação magnética transcraniana repetitiva (do inglês, repetitive transcranial magnetic stimulation, rTMS) utiliza os princípios da indução eletromagnética para produzir correntes iônicas focais no tecido neural e assim interferir em funções do sistema nervoso central.

Itens:

  • Como funciona a Neuromodulação? A neuromodulação altera a atividade elétrica cerebral, aumentando ou diminuindo a excitabilidade do sistema nervoso e desta forma "corrigindo" padrões anormais de funcionamento do sistema, ativando novas redes neurais ou maximizando o funcionamento cerebral. Em termos mais técnicos, as estimulações cerebrais são capazes de induzir neuroplasicidade, que é a capacidade inerente ao sistema nervoso de modificar-se, adaptar-se a nível estrutural e funcional frente a estímulos ou a lesões no sistema.
  • Existe indicação para paciente pós-AVC? Sim, as técnicas de neuromodulação podem acelerar o processo de recuperação sensório-motora dos pacientes com sequelas de AVC. Acredita-se que a modulação da atividade cerebral com as técnicas de neuromodulação pode induzir plasticidade adaptativa e/ou suprimir a plasticidade cortical não adaptativa que ocorre após o AVC, ajudando no processo de reabilitação destes pacientes. No entanto, o potencial terapêutico das técnicas de neuromodulação dependem do tamanho, do local e do tempo de lesão. As recomendações são diferentes dependendo do período de aplicação das técnicas, se na fase aguda, subaguda ou crônica da recuperação do AVC. É importante mencionar que a neuromodulação não é substitutiva de fármacos ou das terapias convencionais, mas agem de modo a complementar o tratamento farmacológico e as terapias comportamentais.
  • Existe alguma contra-indicação? Sim, é contraindicada em pacientes com epilepsia, que tenham materiais metálicos implantados na/ou próximo à cabeça (exemplos, implante coclear, eletrodos implantados / estimuladores, clips de aneurisma ou bobinas, fragmentos de projétil de arma de fogo).
  • As técnicas são seguras? São dolorosas? As estimulações transcranianas são indolores e consideradas seguras desde que aplicadas seguindo os parâmetros de segurança internacionalmente estabelecidos. Para garantir a segurança, apenas profissionais qualificados devem aplicar as técnicas.
  • Como saber se um fisioterapeuta é habilitado a aplicar as técnicas de Neuromodulação? Conforme consta no Acórdão N. 378/2014 do COFFITO, apenas fisioterapeutas que tenham registro de qualificação em técnicas de neuromodulação no CREFITO de sua circunscrição podem exercer a prática profissional da neuromodulação. O registro junto ao Conselho é dado após comprovação de conhecimento de primeiros socorros e de conhecimento teórico prático específico das técnicas de neuromodulação. Verificar se o profissional possui o registro é uma forma de garantir a segurança do tratamento.
  • Quais os benefícios que as técnicas podem trazer aos pacientes? Evidências apontam que as estimulações são capazes de potencializar os efeitos de tratamentos convencionais. Por exemplo, em caso de pacientes crônicos pós-AVC que não avançam mais com os tratamentos convencionais da fisioterapia, as estimulações podem tornar o sistema nervoso mais responsivo e assim voltar a responder as técnicas, acelerando, portanto, o processo de reabilitação. As respostas a estimulação, geralmente, são percebidas pelos pacientes já nas primeiras sessões.