Tratamento Fisioterapêutico da espasticidade

Edna Aragão

1) O que é e o que causa a espasticidade?
A espasticidade é definida como um aumento da resistência muscular ao estiramento brusco desse músculo, consequentemente apresentando uma hiperatividade, sendo essa desenvolvida por alteração neurológica do cérebro ou medula. A espasticidade causa fraqueza muscular, perda de controle motor e redução de músculos recrutado de forma voluntaria-ativa por inadequação da tensão desses músculos, além de falta de impulsos do movimento que deveriam vir do cérebro.

2) Quais são as consequências da espasticidade?
A espasticidade pode causar problemas, como dor muscular ou espasmos, dificuldade em mudar de posição; pode também gerar contratura, a qual apresenta alterações na homeostase do tecido no complexo neuromuscular-tendão que aumenta a rigidez passiva do músculo e limita a mobilidade das articulações, sem que haja alguma produção de força ativa dos músculos, concomitantemente uma deformação óssea (diminuição da densidade óssea) e articular.

3) A diminuição da vascularização afeta no desenvolvimento de contraturas?
Indivíduos acometidos pelo AVC (acidente vascular cerebral) também apresentam redução da irrigação sanguínea no lado acometido quando comparado ao lado não acometido. Essa diminuição altera vários processos fisiológicos, principalmente a absorção de oxigênio e o metabolismo da glicose.

4) Qual a interferência da espasticidade na qualidade de vida?
A espasticidade gera problemas sintomáticos e funcionais os quais podem causar incapacidade e limitações para sobreviventes de AVC, causando um impacto negativo na qualidade de vida relacionada à saúde. Os sobreviventes de acidentes vasculares cerebrais com espasticidade geralmente adquirem posturas patológicas de membros superiores e inferiores, o que vai acarretar em limitações e incapacidades para realizar atividades de vida diária, como por exemplo: alcançar objetos, se alimentar, se vestir, tomar banho, e até mesmo, caminhar.

5) Qual é o melhor momento para iniciar a Fisioterapia?
No intuito de melhorar a qualidade de vida desses pacientes, a Fisioterapia para amenizar a espasticidade deve ser iniciada o mais cedo possível. E vem sendo uma grande aliada através de técnicas específicas que visam dar maior autonomia e funcionalidade para esses indivíduos, para que sejam reinserindo na sociedade. Assim, pode-se promover ganho no desempenho em realizar as atividades e capacidade para participar mais ativamente de sua vida sócioeconômica. E consequentemente reduzir os quadros de depressão e ansiedades.

6) Deve-se fazer Fisioterapia na fase Hospitalar?
É importante a Fisioterapia para posicionar bem o paciente e evitar posturas inadequadas, além de movimentar passivamente o hemicorpo desses pacientes. A movimentação mesmo que passiva irá flexibilizar os músculos evitando futuras contraturas e evitar que a memória dos movimentos sinérgicos adequados se modifique. A ativação do corpo desperta o cérebro a funcionar adequadamente.

7) O que fazer quando a espasticidade já está sendo ativada?
A espasticidade irá aparecer lentamente e começando pelos dedos da mão e pé, seguido de punho-tornozelo, cotovelo-joelho, ombro-quadril e cintura escapular-pélvica. Mesmo com espasticidade em dedos e punho é possível que o cotovelo possa ainda estar flácido, pois a instalação não se inicia com uma espasticidade forte. Nesse período deve mobilizar as falanges e punho de forma lenta e alongar os músculos, que estão ficando rígidos. Os alongamentos devem ser diariamente.

8) Deve-se fazer o quê, mesmo quando for crônico?
Na fase crônica também deve-se estabelecer alongamentos lentos, mantidos e diários dos músculos espásticos. As atividades devem estimular o lado comprometido a realizar os movimentos de forma mais adequada sem sobrecarga. As atividades podem ser só no braço acometidos ou atividades bilaterais, mas sempre evitando que o braço sadio faça as atividades pelo braço acometidos; e da mesma forma nas pernas. Mesmo sendo crônico é importante manter o corpo sempre flexível e realizando atividades mais comuns à prática diária, e que movimentem todo o corpo por igual. Na cronicidade aumenta o risco de contraturas acontecerem ou piorarem, deixando os músculos mais rígidos. Então, alongue-se.

9) Como o cuidador pode ajudar a amenizar a espasticidade?
Os cuidados devem ser realizados tanto pelo próprio paciente, como por um cuidador. Caso essa pessoa (paciente) não consiga realizar as atividades, o mesmo, é incentivado a realizar de forma mais adequada os movimentos com a ajuda do cuidador. Entretanto, deve ser evitado o cuidador movimentar o corpo substituindo a movimentação do próprio paciente.

10) Dica final
A espasticidade aumenta se o paciente ficar imóvel, com pouquíssima movimentação, sobrecarregar os esforços físicos para realizar os movimentos ou atividades. É possível se beneficiar de medicamento que possam amenizar a espasticidade. E ela piora com seu mal humor, então acalme-se e relaxe!

Referências

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