Alterações sensoriais e perceptuais no paciente Pós AVC

Nedi Mello Dos Santos Magagnin

Muitos pacientes desenvolvem alterações sensoriais e perceptuais após a lesão. Ou seja, muitas vezes perdem a capacidade de reconhecer o membro parético (afetado) e isso pode gerar a dificuldade nos cuidados diários, como por exemplo, retirar e colocar uma simples camiseta.

Após a lesão, o membro parético, pode ficar hipo ou hipersensível. Caso a sensibilidade esteja diminuída, poderá não sentir os estímulos táteis e térmico, podendo gerar até queimaduras importantes. Porém, se a sensibilidade estiver aumentada, provavelmente, sentirá desconforto e até mesmo, dor, ao toque.

Essas alterações sensoriais, contribuem para a redução da percepção do membro parético no corpo e no espaço. Muitas vezes, caminham e esbarram o membro superior em paredes e objetos, pois não conseguem perceber o tamanho do espaço e não possuem a capacidade de planejar de forma segura e organizada aquela função.

A avaliação neurofuncional precisa ser detalhada para conseguir aferir essas alterações, a fim de contribuir para a elaboração de um plano de tratamento que seja efetivo para o paciente e que estimule a plasticidade cerebral positiva.

Para isso, utiliza-se técnicas específicas de integração sensorial, dessensibilização associada a manuseios do conceito Bobath, ou estabilizações dinâmicas e rítmicas da facilitação neuromuscular proprioceptiva.

A participação familiar é fundamental para que o tratamento tenha êxito. As orientações para os familiares, devem ser feitas a partir dos seguintes preceitos:

- uma pessoa por vez deve falar com o paciente;
- uma pessoa por vez deve tocar no paciente;
- perceber a face de dor ou estranhamento;
- não puxar o membro superior do paciente, caso ele não aceite o toque.
O tratamento deve ser direcionado para a busca da melhora funcional e precisa fazer sentido na vida de cada paciente, respeitando seus limites, suas crenças e valores pessoais.