Acidente Vascular Cerebral

Dr Luciano Manzato

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a principal causa de sequela e a segunda principal causa de morte no mundo. Acredita-se que a cada 6 segundos uma pessoa morre em decorrência de AVC no mundo. No Brasil ocorrem cerca de 100.000 óbitos por AVC anualmente e cerca de 70% dos pacientes ficam com sequela definitiva. Existem três tipos diferentes de AVC, isquêmico, quando ocorre a oclusão de um vaso, hemorrágico, quando ocorre a ruptura de um vaso, e ainda, hemorragia subaracnóide, que ocorre na maioria dos casos em decorrência do rompimento de um aneurisma cerebral. O principal deles é o isquêmico, responsável por 80% de todos os casos de AVC.

Cerca de 90% dos AVCs poderiam ser prevenidos se controlados os fatores de risco. O principal deles é a hipertensão arterial sistêmica (pressão alta). Além disso, níveis altos de colesterol, diabetes, obesidade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e cardiopatias também são fatores de risco importantes.

A apresentação clínica é bastante variável, dependendo da extensão e do local do AVC. O quadro típico consiste em paralisia ou dificuldade para movimentar um lado do corpo, com desvio da rima labial (a boca fica torta). Além disso, pode acontecer dificuldade de fala, incoordenação motora, dificuldade para caminhar, para enxergar, tontura persistente e dor de cabeça. É muito importante aprender a reconhecer estes sinais e sintomas pois o AVC é uma urgência médica e quanto mais cedo o paciente for levado ao hospital maiores são as chances de melhora.

O tratamento depende do tipo do AVC. O AVC isquêmico pode ser tratado se o paciente chegar em até 4,5 horas do momento do início dos sintomas, para realizar medicamento (trombolítico) que dissolve o coagulo. Alguns casos específicos de oclusão de grandes artérias o tratamento pode ser feito em até 6 horas, onde por via endovascular (cateter inserido dentro das artérias) o trombo é capturado ou aspirado, recanalizando de forma mecânica o vaso previamente ocluído. O AVC hemorrágico quando muito volumoso tem indicação de drenagem por via cirúrgica. Sangramentos pequenos são apenas seguidos clinicamente e o próprio cérebro reabsorve o hematoma. No caso de hemorragia subaracnoide deve ser feita a investigação da circulação cerebral (geralmente com angiografia) para descobrir a causa e conforme for, guiar o tratamento específico.

Infelizmente, a maioria dos pacientes com AVC acaba ficando com sequelas, que podem ser motoras, visuais, sensoriais, cognitivas, respiratórias e até mesmo dificuldade para engolir os alimentos. Nestes casos, o tratamento consiste na reabilitação com equipe multidisciplinar, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, entre outros profissionais. Além disso, controle rigoroso dos fatores de risco deve ser realizado para evitar um novo AVC, pois o risco em quem já apresentou um evento é maior do que no restante da população. Portanto, a melhor forma de tratamento do AVC é a sua prevenção. Levar uma vida saudável, sem fumar, alimentando-se bem e fazendo atividade física pode ajudar a evitar a maioria dos casos.