Débora Oliveira Machado


"Eu Débora Oliveira Machado, aos 31 anos sofri um AVC. Eu estava em uma festa, era sábado à noite, nós estávamos indo embora e, de repente, eu senti uma dor de cabeça muito forte. Parecia que eu estava sendo esmagada, a dor era tão forte que eu nem conseguia andar. Quando eu fui para o hospital eu vomitei, eu fiz necessidades fisiológicas na calça, o médico achou que eu tinha bebido bebida alcoólica, mas eu não tinha bebido! Eu só me lembro quando cheguei ao hospital, quando eu acordei achei que tinha levado um tiro.

Ao passar do tempo, os médicos me falaram que eu estava paralisada do lado esquerdo e quando eu sai do hospital eu não conseguia andar e ficar sentada, eu usava fralda, não conseguia me lembrar das coisas, não sabia que dia era, fiquei com a boca torta, eu engasgava muito.  Tive que aprender tudo, a comer, ir ao banheiro, hoje graças a Deus e com a ajuda da USP, do Lucy Montoro e da AACD, eu consegui andar, praticar esportes que eu tanto gosto, como por exemplo fazer natação e academia. A Escola de Educação Física da USP me ajudou muito, consigo fazer cálculos, dançar, consegui fazer duas coisas ao mesmo tempo. Hoje sei que as sequelas que fiquei, vão ser pra sempre. Tento muito me adaptar com a vida de deficiente, vou ligar pra sempre, cabeça erguida sempre. Obrigada Deus e a toda minha família, que luta junto comigo, hoje eu estou de pé, andando, dançando e divosa como sempre"




Janeide Lima


Em 22/01/2013, quando fui cortar a carne na hora do almoço, a faca "escorregou" da minha mão. Após 2 dias (24/01/2013) marquei em uma clínica de urgência com médica especialista em mão e expliquei exatamente o que havia ocorrido. Ela solicitou exames de raio x e ultrassom do punho e fez vários testes de mobilidade e perguntou se eu sentia dor. Expliquei que do nada meu dedo "parou de mexer".
Após mais ou menos uma semana, voltei com os resultados dos exames, que não acusaram nada. Em seguida, a mesma médica solicitou eletroneuromiografia, sessões de fisioterapia com urgência e uma injeção que acabei não tomando.
Com o tempo de agendamento do exame e autorização do plano de saúde, passaram-se vários dias. Nesse ínterim, todos os dedos da mão esquerda começaram a ficar sem movimento e força. Fui fazer o tal exame no médico neurologista especialista (“doutor com doutorado”) e ele me disse que era uma inflamação no nervo ulnar e que a médica que solicitou o exame iria dizer o porquê disso. Nesse momento senti algo péssimo... infelizmente alguns profissionais têm essa conduta. Minha intuição foi que o "doutor" tinha certeza do diagnóstico porque ele me fez muitas perguntas e os olhos dele falaram para mim: "não posso me meter na conduta da colega de profissão, pois é antiético". Eu já estava tão angustiada com a situação de ninguém descobrir o que eu tinha... fazendo exames e nada....
Já em meados de fevereiro de 2013, a médica especialista em mãos sugeriu que eu fosse a um hospital público, onde ela conhecia os residentes de neurocirurgia. Fui lá em uma terça-feira e fui avaliada por um dos residentes que disse que eu tinha que fazer fisioterapia e que não era nada grave, pois havia feito aquele exame "tá vendo um dedo ou dois?". Nesse momento eu tive uma alteração de comportamento significante e me exaltei com o residente: “como assim? Meu braço está sem força e movimentos e não é nada grave? Então o que é?” Solicitaram um exame de sangue (hemograma) que não deu nenhuma alteração. O residente pediu para eu voltar na quinta-feira e falar com o médico que coordena os residentes. Na quarta-feira, havia marcado com um neurologista do meu plano que também fez o tal teste do "tá vendo um dedo ou dois?" E afirmou que eu não tinha nada grave, me indicou fono (meu rosto do mesmo lado estava totalmente desviado) e fisioterapia e não achava necessária uma ressonância de crânio...
Na quinta (21/02/2013), fui a outra urgência de um hospital particular, onde fui atendida e o médico pediu para que fizesse uma ressonância de crânio e coluna com urgência; na sexta (22/02/13), fui a uma clínica do plano para tentar marcar. Domingo (24/02/2013), à noite, estava na cama, aos prantos no celular tentando ver se alguém me ajudava a descobrir esse mistério; de repente, meu lado esquerdo, de todo o corpo, formigou e não consegui levantar da cama. Imediatamente minha mãe me levou para outra urgência e eu só lembro do atendimento inicial. Foi o tumor que não tinha mais para onde expandir e rompeu uma artéria. Daí tive um AVC HEMORRÁGICO...
A partir dessa parte não lembro de nada. Fui transferida para outro hospital (Hospital São Marcos), que aceitava meu plano, e rapidamente fizeram uma tomografia e identificaram o tumor cerebral e o AVC hemorrágico.
Fui para a UTI, porque o médico, neurocirurgião do plantão, passou um remédio para tentar diminuir o edema e ficar em observação. Em menos de 24h, como só piorava, ele optou por não fazer a ressonância magnética e tentar a cirurgia. Contam-me que foi um momento muito tenso, que eu estava nas últimas; não daria tempo de ir fazer a ressonância, ele fez a cirurgia apenas com a tomografia. Mas graças à Deus e à competência e habilidade deste neurocirurgião, que amo, deu tudo certo. Na cirurgia ele conseguiu retirar todo o tumor e conter a hemorragia. Voltei à UTI entubada e em coma induzido. Evoluí muito rápido: com 24h já me mexia e tiveram que me "amarrar". Com 72h "acordei" desorientada, mas totalmente consciente. Não lembrava de nada que havia acontecido, mas quando foram me explicando "minha ficha caiu" e aí caí no choro... Fiquei com o lado esquerdo do corpo completamente paralisado, acamada e com desvio no rosto; passei uns 7 dias na UTI e cheguei até a me alimentar de comida normal (sem ser pastosa).
Fiquei uma média de 30 dias no quarto e, no próprio hospital, voltei a andar.
Fiz 80 sessões de quimioterapia (50 doses diárias junto com a radioterapia e 30 sessões - 1x no mês, 5 dias por, 6 meses) e mais 30 sessões de radioterapia de segunda à sexta-feira.
Em paralelo, fazia tratamento multidisciplinar em domicílio: fisioterapia, fonoaudiologia, médico clínico, enfermeira, terapia ocupacional, nutricionista, psicóloga.
A última dose de quimioterapia foi dia 06/01/2014.
Em abril de 2014 conheci a neuromodulacão no DEFISIO/UFPE e fiz diversos tratamentos fantásticos, tive muitos resultados.
Também fiz e continuo fazendo aplicações de botox nos membros superiores e inferiores.
Somando tudo, tive ótima recuperação.
Minha conclusão 5 anos após tudo: tive falta de sorte nos médicos que fui. Na minha visão, hoje, se eu tivesse feito essa cirurgia programada, não teria adquirido a deficiência física (hemiparesia do lado esquerdo do corpo).




Augusto M. Costa Netto


"Passados 10 anos desde que eu tive um AVC.

Na ocasião eu residia na cidade de Porto Feliz, SP e trabalhava no fornecimento de insumos para restaurante (tomate seco e temperos frescos).
No fim da tarde, quase noite, sentei numa poltrona confortável e comecei uma leitura de Veja.
De repente minha perna começou a formigar.
Aborrecido com isto resolvi me levantar e caminhar um pouco.
Levantei e cai. Estava fraco das pernas.
Com esforço agarrei na rede que estava ao lado para me levantar.
Fui para meu quarto com a intenção de repousar por um momento.
Não sabia que estava tendo um AVC.
Avisei minha mulher e me deitei em seguida.
Foi deitar e ficar.
Paralisia da perna direita, braço encolhido junto ao peito, e horrível sensação de desconforto.
Pedi ajuda a minha mulher que, vendo meu estado, se alarmou e pediu uma ambulância.
Esta chegou com um enfermeiro e o motorista.
Os dois não conseguiram me tirar da cama. Na ocasião em pesava 120 quilos, tinha diabetes e pressão alta. Sem contar com uma operação do coração feita sete anos antes.
Com a ajuda do corpo de bombeiros da cidade me colocaram na ambulância, que seguiu para a Santa Casa. Lá foi constatado o AVC e recomendação para buscar um Hospital com melhor equipamento. No dia seguinte uma ambulância me levou para São Bernardo do Campo para o Hospital Assunção, que na ocasião era comandado por um primo, medico. Fiquei internado por uma semana e tratado por uma equipe especializada.
Em seguida fui liberado para ir para casa.
Não podia voltar para Porto Feliz, que não tinha profissionais especialistas.
Então fiquei num apartamento do meu irmão que se encontrava vago.
Lá com ajuda de profissionais fui me recuperando aos poucos.
Hoje ainda não consigo um movimento da perna direita, apesar de todos os exercícios.
O braço e mão voltaram a funcionar, bem como a garganta que havia ficado meio entupida.
No ano passado tive a felicidade de encontrar a equipe da USP, na Escola de Esportes e Educação Física onde encontrei ajuda profissional de alto gabarito. Hoje peso 80 quilos, me livrei da diabetes e pressão alta.
De acordo com os médicos estou em uma situação muito melhor agora que 10 anos atrás.
Abraço




Averaldo Alves da Silva


Com 54 anos, trabalhava como motorista de segunda à sábado. Em um determinado sábado, em que estava de folga, sentiu fraqueza no lado direito do corpo e formigamento na boca, desconfiando assim que fosse uma fraqueza muscular. Com o passar do tempo, os sintomas foram ficando mais preocupantes, e o levaram ao médico para ver o que estava acontecendo.

Conclusão: um AVC isquêmico que afetou o lado direito, gerando dificuldade para andar, falar e mover o braço. Tinha também um pouco de dificuldade para comer, pois mordia a língua às vezes.

Tudo isso aconteceu em fevereiro de 2016.

Com o passar do tempo foi feita a matrícula na Escola de Educação Física da USP para o curso de atividade física e Reabilitação, onde começou a frequentar duas vezes por semana, buscando primeiro melhorar o equilíbrio, para ter mais firmeza, e a mente, para melhorar a cabeça e lembrar das coisas e das pessoas.

Com esse processo de reabilitação, a melhora dele foi um sucesso.

Hoje ele fala, anda melhor com apoio da bengala e os movimentos do lado direito estão melhores do que antes.

Ele joga bola, estica elástico, senta e levanta.

Hoje ele está bem melhor e feliz com a evolução. E torce para que melhore ainda mais.